5 indicações ao Óscar

Mais que qualidade, Brasil prova que amadureceu no cinema

Atualizado em 13/02/2026 às 09:02, por Kael Ladislau.

Wagner Moura e Adolpho Veloso

Foto: Reprodução

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Leia o texto (ou ouça o áudio) da coluna “5 indicações ao Óscar”, de Kael Ladislau:

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No dia 22 de janeiro, o Brasil foi lembrado 5 vezes no anúncio de indicados ao Óscar. Enquanto O Agente Secreto levou 4 indicações (Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Ator para Wagner Moura, Melhor Filme e Melhor Direção de Elenco, com o diretor de casting Gabriel Domingues), Adolpho Veloso foi indicado a Melhor Fotografia por Sonhos de Trem, da Netflix. 

O recorde de O Agente Secreto é o mesmo de Cidade de Deus, indicado em 2004 a também quatro estatuetas - sem, no entanto, levar qualquer uma. 

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A qualidade do cinema nacional é sempre muito valorizada nessa época. E é inquestionável o primor das produções brasileiras que aparecem nas premiações televisionadas dos EUA - e além delas, claro. 

Tanto Ainda Estou Aqui, que trouxe o troféu de Melhor Filme Internacional em 2025, quanto o Agente Secreto são obras muito bem-produzidas tecnicamente, com atuações sempre elogiadas e histórias que emocionam - por mais que possam dividir opiniões, em especial o filme indicado deste ano.

Mas é preciso mencionar que prêmios como o Óscar nunca são sobre, de fato, qualidade. E aqui é necessário louvar que 2025 indicou e 2026 comprovou: o Brasil tem amadurecido muito para se mostrar ao mundo. 

Isso porque Óscar, principalmente, é sobre campanha - a produção precisa se expor aos votantes e a indústria dos EUA. Mais do que levar público ao cinema, é preciso ir até o público, nesse caso. 

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E quando falamos de indicação ao Óscar de Melhor Filme Internacional, o país precisa indicar, primeiro, qual será a obra selecionada para concorrer ao reconhecimento da Academia do Óscar.

Em 2025 a Academia Brasileira soube escolher bem, porque houve embates sobre qual indicar. O Agente Secreto não era uma unanimidade e concorria com outros longas que geraram algum debate sobre o merecimento. E a escolha, por mais discutível que fosse, foi a certa. 

Primeiro porque O Agente Secreto é estrelado por Wagner Moura, ator que já tem entrada em Hollywood. Outro ponto a favor é o diretor, Kléber Mendonça Filho, que soube colocar em seu filme os elementos certos para cativar um público mais global - por mais que sua obra tenha muitas particularidades sobre o Brasil. 

O Agente Secreto torna o Brasil apenas o quarto país a ter duas indicações em anos seguidos no Óscar. Sua equipe e a distribuidora dos Estados Unidos estão colocando tanto Wagner quanto Kleber em evidência na indústria norte-americana e, somado ao impressionante engajamento que o público brasileiro dá nas redes sociais, a Academia reconheceu esse esforço. 

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Resta, agora, esperar o resultado, que será na cerimônia do dia 15 de março. É um pouco mais de um mês até lá e a concorrência é muito mais pesada que a de Ainda Estou Aqui para melhor filme internacional no ano passado. 

A safra de filmes de outros países na academia é muito boa esse ano, com destaque para o norueguês Valor Sentimental e o iraniano (mas inscrito pela França) Foi Apenas um Acidente. 

Sem esquecer da pesadíssima concorrência que Wagner terá, com nomes como Leonardo DiCaprio e Timothee Chalamet. 

Mas, para países fora do grande eixo da indústria cinematográfica, como o Brasil ainda está, ser indicado e tão reconhecido assim já é uma grande vitória. Mas, claro, se tiver o homenzinho dourado na bagagem, será melhor!


Kael Ladislau

Kael Ladislau é Jornalista graduado pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).