- Mariana
Problemas crônicos da Rua João Batista tiram o sono dos moradores
Vazamentos de água, asfalto afundando, buracos e quebra-molas comprometidos marcaram visita técnica realizada nessa quarta-feira (05). Problemas se arrastam há anos e moradores cobram solução definitiva.
Nessa quarta-feira (05), a Rua João Batista, em Passagem de Mariana, voltou a ser palco de uma visita técnica motivada por problemas estruturais que se acumulam há anos. Estiveram presentes Rafael, fiscal de obras da Prefeitura de Mariana, representantes da empresa Conterplan Construções, Terraplenagem e Comércio LTDA (empresa responsável pelas obras), além de moradores e lideranças comunitárias. Logo no início da vistoria, o cenário falou por si. Enquanto o grupo caminhava pela via, um carro passou e um ocupante gritou: “Ó as esburacadas aí!”, ditando em poucas palavras o que se vê ao longo de toda a rua: buracos profundos, asfalto estourado, quebra-molas que não suportam o tráfego e água escorrendo constantemente pela via.
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Rua João Batista: Interdição, retomada de obras e problemas persistentes
Segundo moradores, os problemas se intensificaram em 2023, quando a rua começou a afundar. À época, a Defesa Civil interditou a via e alertou para a necessidade de reduzir a circulação de veículos pesados que utilizavam a via para transporte de material retirado de uma obra da Vale na ferrovia.
De acordo com um representante da Conterplan, a sobrecarga de peso foi determinante para o colapso da estrutura. “O fato ocorrido nessa rua aqui foi devido ao peso. Inclusive eu entrei com ofício e bati o pé com a Vale que ali não ia passar mais caminhão pesado, e foi aí que interditou, em 2023”, afirmou.
O tema do tráfego pesado voltou à discussão durante a vistoria. Para o fiscal Rafael, qualquer decisão precisa ser tomada com cautela. “Quando a gente fala em sobrecarga, eles podem tentar tirar o transporte coletivo daqui. A gente pode tentar ajustar um problema e criar outro”, disse. Segundo representantes da Conterplan, o receio é real.
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Interdição, reuniões e promessas de solução definitiva
Os transtornos enfrentados hoje pelos moradores da Rua João Batista não são novidade. Em janeiro de 2023, o surgimento de um grande buraco levou à interdição parcial da via e a uma intervenção emergencial da Prefeitura. À época, em reportagem realizada pela Agência Primaz, já apontavam que os danos iam além do pavimento, afetando redes de água, esgoto e drenagem pluvial, além de provocar trincas em residências próximas.
Entre janeiro e abril de 2023, reuniões se sucederam entre moradores, Prefeitura, Demutran, representantes da Vale e empresas envolvidas. Naquele momento, chegou a ser debatida a proibição total do tráfego de caminhões pesados, a criação de rotas alternativas e a realização de uma obra definitiva em toda a extensão da rua.
A solução estrutural, no entanto, foi constantemente adiada. Em entrevistas concedidas à época, a Secretaria de Obras afirmava que uma intervenção completa só poderia ser realizada após o período chuvoso. Enquanto isso, a rua foi reaberta ao tráfego, inclusive de veículos pesados, em condições consideradas precárias pelos moradores.
Sem avanços concretos, a situação culminou na interdição da obra ferroviária em junho de 2023 e na promessa de elaboração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre o município e a Vale, estabelecendo responsabilidades pela recomposição adequada da via. Mesmo assim, no fim daquele ano, moradores ainda denunciavam que o TAC não havia sido assinado e que os problemas persistiam, mesmo após a suspensão do tráfego pesado.
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Promessas não cumpridas e obra dividida em etapas
As intervenções então, segundo moradores, foram divididas em etapas: a primeira entre 2023 e 2024 e a segunda realizada no ano passado. Apesar do fiscal de obras afirmar que a entrega completa da obra ainda não foi formalizada pela prefeitura, moradores relatam que, na prática, a rua já foi dada como concluída. “Muitos estiveram aqui dizendo que a obra estava concluída, tudo de primeira, e mais um monte de mentiras que contaram pra eles mesmos e, claro, para todos os moradores”, denuncia a moradora Graciele Costa.
Ela também critica a distância entre o que foi prometido e o que foi executado. “Uma obra que foi prometida ser entregue com rapidez e excelência só trouxe decepção e reclamações até agora”, afirma. Para os moradores, o conceito de “entrega” adotado pelo poder público não dialoga com a realidade. “Se a prefeitura entende entrega como uma festa e comemoração, não é isso que a gente quer. A gente quer paz e sossego”, relata Israel Luiz.
Vazamentos de água agravam danos e afetam rotina dos moradores da rua João Batista
Entre os principais problemas apontados estão os vazamentos de água, que se misturam entre tubulações da água de mina, comum na região, e da rede pública, administrada pelo SAAE. Segundo os relatos, a situação compromete não apenas o asfalto, mas também o abastecimento das casas.
“A água está atravessando a rua. É cano que atravessa. O pessoal até adquiriu um cano de ferro para o SAAE poder envelopar o cano de PVC, mas o SAAE não quer fazer isso” – Graciele Costa, moradora
Segundo o fiscal Rafael, a solução proposta pelos moradores não pode ser executada por não atender às normas técnicas e por envolver escavações inadequadas.
A moradora ressalta ainda que o desperdício afeta diretamente a população. “É muita água. Aí o pessoal não entende por que está faltando água. A água cai na caixa e depois não tem mais água na torneira”.
Problemas estruturais antigos da cidade também entram em cena. Segundo explicações dadas durante a vistoria, a maioria das casas de Mariana não possui redes separadas para água pluvial e esgoto. Tubulações de 150 milímetros, apenas encaixadas, não comportam o volume recebido, o que gera entupimentos, vazamentos nos poços de visita e infiltrações no solo. “A água vai caçando caminho pra sair”, explicou Rafael.
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Obra cozinhada
Outro ponto central da vistoria foi a constatação de falhas na preparação do terreno para receber o asfalto. Segundo o fiscal de obras, para uma nova pavimentação ser feita corretamente, são necessários de quatro a cinco dias de sol, para que o material seja aplicado completamente seco.
“O dano foi na rua inteira. A obra foi por partes. A parte um deu errado, parou, depois veio de novo. A mesma Conterplan, já com a gestão nova da prefeitura, fez a parte dois”, relatou Graciele. Segundo ela, o que está sendo vistoriado agora é tanto o serviço mal executado da primeira etapa quanto problemas da segunda. Apesar disso, moradores afirmam que a obra foi, sim, considerada entregue à população. “Desse jeito aí que você tá vendo”, ironiza a moradora.
Para a comunidade, o problema não é a garantia da obra, mas a lentidão. “Independentemente da gestão, a obra tem garantia. Em momento nenhum a gente está falando que estão negando isso. A gente quer data, hora, quando vai executar. Senão a gente vai ficar cozinhando obra um ano, dois anos. Ano passado foi quase um ano de obra”, cobram.
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Comunidade cansada de vistorias sem solução
O sentimento predominante entre os moradores é de desgaste. Segundo Rinaldo Melo, presidente da Associação de Moradores, vistorias como essa já se repetiram diversas vezes. “Só em 2024 fizemos umas três visitas desse tipo aqui. Depois em 2024 e 2025, mais duas ou três. A comunidade já está cansada”.
Israel Luiz, morador da rua, critica a lógica adotada pelo poder público. “Pra gente tá entregue, mas o entregue da prefeitura é o quê? Uma inauguração pra vir todo mundo tirar foto? Fazer videozinho no stories? A comunidade não precisa disso. A comunidade quer ver a obra pronta”. Ele reforça que agora cabe à empresa garantir a qualidade do serviço. “Se não, vai ficar nesse faz, desmancha e não acaba”.
Quebra-molas e decisões pendentes na Rua João Batista
Segundo Rafael e representantes da Conterplan, qualquer alteração depende de estudos técnicos do Demutran. “Tem que sentar lá e fazer o estudo primeiro. Eu vou ter outra reunião com a prefeitura e nós vamos definir”, afirmou um dos representantes da empresa.
Enquanto decisões são adiadas e novas reuniões são marcadas, a Rua João Batista segue como retrato de um problema maior: obras fragmentadas, infraestrutura precária e uma população que, após anos de intervenções, já não pede inaugurações, pede solução, prometida agora, fora do período de chuva.