- Mariana
Nova bacia de contenção promete fim de enchentes históricas
Obra entregue nesta terça-feira beneficia os bairros Morada do Sol e Barro Preto, focando na segurança das famílias que conviviam com prejuízos anuais
Nesta última terça (6), a comunidade de Mariana se reuniu para um marco que vai além do concreto e da engenharia. A inauguração da bacia de contenção e amortecimento nos bairros Morada do Sol e Barro Preto foi acompanhada de perto por moradores que, por décadas, tiveram suas rotinas ditadas pelo ritmo das chuvas e pelo medo de perderem tudo. O evento contou com a participação ativa de associações de moradores e lideranças locais, celebrando o que foi descrito como o fim de um longo período de insegurança e falta de dignidade.
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Um histórico de perdas e "cenários de guerra"
A história desta obra é, essencialmente, a história de quem vive nas partes mais baixas da região, como a Rua Monsenhor Rafael Coelho. Relatos de vereadores e moradores relembram chuvas devastadoras que levavam insegurança e prejuízos aos moradores, onde o transbordamento de córregos transformava ruas em verdadeiros “cenários de guerra”.
Para muitos, como o senhor Nozinho Ramos, morador antigo da região, a entrega representa o fim de uma espera cansativa por promessas que nunca saíam do papel. “A única coisa que eu tenho que falar e agradecer por essa obra que ele fez para nós aqui, porque eu já estava cansado de ir na prefeitura com outros prefeitos e só falava: ‘projeto está na mesa’, mas o projeto não saía da mesa não”, desabafou o morador durante a cerimônia.
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Outro morador que acompanhou cada etapa da construção foi Milton Sena, do bairro Barro Preto. Ele destacou a persistência da comunidade: “É um projeto que a gente vem precisando, que já se passaram oito anos. A gente fica aguardando que ele fosse executado, uma obra de extrema importância, pois ela vai, se Deus quiser, acabar com as enchentes no Barro Preto”, comemora.
Aspectos técnicos e infraestrutura
A complexidade da obra envolveu não apenas a construção da bacia, mas também a desapropriação do terreno, que custou mais de oitocentos mil reais aos cofres públicos, e a substituição de galerias de pedra antigas que corriam o risco de ceder. O engenheiro Bruno Cota, representante da Secretaria de Obras, explicou o funcionamento do sistema entregue:
“A montante da bacia, temos trilhos que fazem a contenção de materiais sólidos, impedindo entupimentos na galeria que vai até o Ribeirão do Carmo. Já a jusante, na parte de baixo, temos uma galeria que faz o amortecimento de toda a rede pluvial; quando há uma chuva de intensidade, ela diminui a vazão da água que chega ao rio”, explicou.
Além da bacia, o projeto incluiu pavimentação, drenagem, acessibilidade com calçadas e instalação de grades de proteção para a segurança dos moradores e de um parquinho próximo.
Um passo importante, mas não o último
Apesar da celebração, o tom da entrega foi de realismo quanto aos próximos passos. O prefeito Juliano Duarte ressaltou que, embora a bacia mude drasticamente a realidade local, ela faz parte de um plano maior que ainda depende de recursos orçamentários para ser concluído integralmente.
Segundo o prefeito, “Essa obra ela vai resolver praticamente 70% do problema, mas a conclusão final é trocar as aduelas até o Ribeirão do Carmo para que a gente tenha uma vazão maior de saída das águas que vai chegar no Rio”. Ele explicou que a segunda etapa ainda não foi executada por questões financeiras, mas que o planejamento da gestão visa a conclusão de cem por cento da intervenção para garantir que o sistema suporte volumes de água ainda maiores no futuro.
A inauguração terminou com o descerramento de uma placa e o sentimento de alívio por parte de moradores como Sandra Silva, presidente da Associação do Barro Preto, que sintetizou o sentimento coletivo de que a obra era uma prioridade humana antes de ser uma prioridade política. Para as famílias que tantas vezes precisaram de doações de colchões e móveis após as cheias, a bacia representa a esperança de noites de sono mais tranquilas em dias de chuva.