Servidores técnico-administrativos da UFOP entram em greve

A base do sindicato ASSUFOP aprovou a deflagração de greve para o dia 02 de março

Atualizado em 02/03/2026 às 16:03, por Larissa Antunes.

Na foto é possível ver associados do Sindicato ASSUFOP no auditório do Departamento de Geologia discutindo a pauta grevista.

Assossiados do Sindicato ASSUFOP deflagram greve a partir desta segunda-feira

Os servidores técnico-administrativos da UFOP aprovaram, em assembleia extraordinária realizada na última segunda-feira (23), a deflagração de greve a partir desta segunda-feira, 02 de março. 

A assembleia, que contou com a participação de associados do Sindicato ASSUFOP (Sindicato dos Trabalhadores Técnicos-Administrativos da UFOP) no auditório do Departamento de Geologia, também decidiu pela formação de um Comando Local de Greve, visando organizar o movimento e dialogar com a Reitoria sobre os setores que poderão manter atividades essenciais durante a paralisação.
 

/apidata/imgcache/2cb565cd5fc40fab2aa9f77bf1dcb137.jpeg?banner=postmiddle&when=1772887112&who=345

Motivações

O presidente do sindicato, Gabriel Souza, reforçou a importância da paralisação durante uma reunião do Conselho Universitário no dia 27 de fevereiro. Em sua fala, ele explicou os eixos de luta e destacou que o Comando de Greve, a partir de sua instalação no início da paralisação, deverá definir em conjunto com a reitoria quais atividades serão mantidas para evitar riscos à segurança e ao funcionamento da universidade.

Entre as principais demandas da categoria estão a exigência de cumprimento integral do acordo de greve de 2024 (Termo de Acordo nº 11/2024), em especial quanto ao Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC), que diferem do que foi enviado pelo governo no projeto de lei.

Outros eixos de luta citados são: a universalização do RSC para todos os técnicos, a implementação de regime de plantão 12×60, a redução da jornada de trabalho para 30 horas semanais e o reposicionamento dos servidores aposentados.

/apidata/imgcache/1b6ca8f31b2386faa695068c84d8ff02.jpeg?banner=postmiddle&when=1772887112&who=345

Além disso, a democratização dos processos internos com possibilidade de eleições diretas para reitor e de TAEs (Técnicos-administrativos da educação federal) ocuparem qualquer cargo, o fim da terceirização de cargos, a manutenção e fortalecimento do step único e constante (progressão funcional/salarial linear e regular), e a abertura de concurso público para intérpretes de Libras, também são cruciais para a mobilização dos técnicos.

O movimento é motivado pela percepção da categoria de que compromissos assumidos anteriormente não estão sendo integralmente cumpridos, especialmente em relação às reivindicações negociadas no âmbito federal, como o reconhecimento das competências e condições de trabalho. 

A formalização da greve junto à reitoria com o ofício nº 005/26 também marca o início dos trâmites legais que permitirão a abertura de negociações diretas entre o Comando Local de Greve e a Administração Central da UFOP.
 

Cenário Nacional

A escolha da data buscou articular o movimento local com o Comando Nacional de Greve (CNG) organizado pela FASUBRA Sindical (Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil), reforçando a unidade dos técnico-administrativos em educação em todo o país. 

De acordo com as orientações da Federação (ID 08/2026), o Comando Nacional será composto pela Direção Nacional da FASUBRA e por delegados das entidades de base em greve, conforme o Estatuto da Federação (artigos 85 e 86). Compete ao CNG debater e deliberar sobre os rumos do movimento paredista durante o período da greve.

Entre as principais reivindicações está o cumprimento integral do Termo de Acordo de Greve nº 11/2024. Além das pautas já mencionadas, no eixo específico da pauta nacional constam a Supervisão do Plano de Carreira dos Cargos Técnico-administrativos em Educação; Aceleração para aposentados e pensionistas; Reposicionamento dos aposentados; Democracia nas IFE: paridade nos órgãos colegiados, eleições diretas e no mínimo paritárias para Reitor, fim da lista tríplice, que o TAE possa ser eleito para cargos de direção, inclusive Reitor.

Além disso,os servidores pedem plantão 12x60; Retirada da possibilidade de terceirização dos cargos do PCCTAE (Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação). Manutenção da matriz única, com a definição do Nível E como referência para os demais níveis, a partir das porcentagens definidas no acordo; Liberação de concurso público para TILSP (Tradutor e Intérprete de Língua de Sinais e Língua Portuguesa) - Nível E.

Segundo levantamento do documento ID 08/2026, publicado em 27 de fevereiro pela FASUBRA, o mapa nacional de deliberações indica que 31 entidades aprovaram a greve, 18 rejeitaram e 26 ainda não haviam retornado.
 

IFMG não adere ao movimento nacional

Dentre as entidades que não aderiram ao movimento, o SINASEFE (Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica - Seção Sindical IFMG) mantém indicativo de greve, porém decide não deflagrar movimento paredista neste momento.

Durante a 207ª Plena Nacional do SINASEFE, realizada entre os dias 27 de fevereiro e 1 de março, por ampla maioria e por contraste visual, não foi aprovada a deflagração de greve neste momento.

Porém, os servidores do IFMG, seguem com o indicativo de greve, o que na prática significa que uma greve pode ser concretizada e somada ao movimento nacional. No dia 1º de abril haverá uma paralização nacional e no  dia 17 de abril haverá outra plenária nacional onde a pauta grevista estará novamente em discussão.


Larissa Antunes

É graduanda em Jornalismo na UFOP e estagiária na Agência Primaz de Comunicação. Possui interesse por jornalismo cultural, radiojornalismo, audiovisual, fotojornalismo, movimentos político-sociais e expressões artístico- culturais.