Entrevista Primaz - Viviane Barcellos
Natural de Ouro Preto, Viviane Barcellos é a definição de uma artista contemporânea múltipla
Foto: Larissa Antunes/Agência Primaz
Graduada em Filosofia e atualmente estudante de Jornalismo, ela transita com fluidez entre as picapes de DJ, as lentes da fotografia e a investigação acadêmica. Em conversa exclusiva, Viviane compartilha como sua trajetória busca dar voz a culturas frequentemente invisibilizadas, especialmente a cultura africana, em cidades marcadas pelo passado colonial.
A jornada entre o pensar e o comunicar
A base intelectual de Viviane reside na Filosofia, curso que escolheu por sua natureza questionadora e que a ajudou a desenvolver autoconfiança para enfrentar um mundo "não maquiado". No entanto, foi no Jornalismo que ela encontrou a ferramenta para transformar abstrações em produtos concretos, como o documentário "Da Roça à Cidade", que narra a vida de produtores rurais em Mariana.
O jornalismo oferece a possibilidade de explorar vários temas e formas, como documentários e podcasts, alinhando-se aos meus diversos interesses
O som que transgride: DJing e o Projeto Afro Vibe
A carreira como DJ começou oficialmente em 2023, impulsionada por uma viagem à Bahia e uma vida inteira de influência musical familiar. Viviane destaca-se por sets que misturam o novo e o conhecido, com passagens marcantes por eventos como o CineOp, onde apresentou um set focado em música negra e Kuduro de Angola.
Um de seus maiores projetos é o Afro Vibe. A iniciativa surgiu ao observar estudantes africanos em Ouro Preto e sentir a necessidade de celebrar essa cultura em espaços onde a herança colonizadora ainda é predominante. O objetivo é claro: dar visibilidade à cultura africana em cidades históricas onde ela é, simultaneamente, próxima e silenciada.
O olhar através da lente e das artes visuais
Além da música, a fotografia de rua é uma paixão que a acompanha desde a adolescência. Viviane busca capturar o espontâneo e o imprevisível em eventos e espetáculos. Embora também domine técnicas de desenho e aquarela, ela reconhece as dificuldades financeiras de sobreviver exclusivamente das artes visuais no Brasil.
Conselhos para o futuro
Para quem está começando, Viviane é pragmática: invistam na sua arte, mas mantenham uma segunda fonte de renda. Ela encara a arte como algo essencial e terapêutico, capaz de congelar momentos e unir pessoas, mas reforça a importância da responsabilidade financeira diante da instabilidade do setor.
"Acredito que a arte, a fotografia congelando momentos e a música evocando memórias é essencial", conclui, pedindo mais valorização para as mulheres na cena artística e apoio aos talentos locais.
Confira a entrevista completa abaixo ou pelo Spotify:

Joyce Campolina
É graduanda em Jornalismo pela UFOP, apaixonada por Jornalismo Cultural e Político, fotojornalismo, audiovisual e por contar histórias que precisam ser ouvidas








