- Mariana
Ateliê Aberto reúne arte, educação e práticas de reaproveitamento
Em Passagem de Mariana, espaço mantido pela artista Regina Cunha é ponto de encontro entre arte e sustentabilidade
Localizado no Distrito Criativo de Passagem de Mariana, o Ateliê Aberto é um espaço que reúne produção em artes visuais, ensino, práticas de reaproveitamento de materiais em integração com a natureza.
A proposta de Regina consiste em permitir que o público conheça o processo criativo, adquira peças e tenha contato direto com seu trabalho artístico, além de reunir artistas e iniciativas culturais locais com foco na circulação de produção artística e divulgação do trabalho de criadores da região.
*** Continua depois da publicidade ***
***
A artista
Regina Cunha, artista plástica carioca de 73 anos, é a mente criativa por trás do Ateliê Aberto. Sua trajetória é marcada por trabalhos e exposições no Brasil e no exterior, a artista desenvolve produção com referência no barroco e uso de materiais provenientes de reciclagem, reaproveitamento e recursos naturais. O espaço também abriga oficinas e atividades ligadas à produção manual.
A iniciativa, que integra a trajetória da artista, reúne produção em artes visuais, ensino e contato com a natureza. O formato de abertura do espaço já existia em datas comemorativas e foi retomado após a pandemia como estratégia de divulgação e retomada de atividades presenciais. A expectativa de 2026 é o retorno das atividades no mês de abril.
Ver Mais

Premiere de “Peregrinação” lota cineteatro com horror surreal

Estilo é emancipação – A boneca Barbie autista

PL pretende priorizar agricultura familiar no cultivo de maconha
Inscreva-se no nosso canal de WhatsApp para receber notificações de publicações da Agência Primaz.
Formação e início da trajetória artística
Regina Cunha iniciou contato com a pintura ainda na adolescência. Segundo a artista, a primeira pintura a óleo foi produzida aos 13 anos. Aos 15 anos, já organizava turmas de pintura e ministrava aulas em casa.
A formação acadêmica ocorreu na Faculdade de Belas Artes, onde ingressou aos 18 anos após aprovação em processo seletivo com provas práticas de desenho e escultura. Durante a graduação, conciliou formação com trabalho em ensino e produção artística.
Ao longo da carreira, a artista possui uma vasta experiência em diversos ramos, atuando em produções manuais como pintura, cerâmica, papel, desenho, xilogravura, policromia, fotografia, reaproveitamento de materiais, além da arte-educação, desenvolvendo atividades no Rio de Janeiro e posteriormente em Minas Gerais.
Regina não se prende apenas a uma única linguagem na arte, realizando a junção de diversos movimentos, inclusive da arte, com a natureza e os seres vivos, para ela, “a gente tem que aprender com as pessoas, com a natureza, você aprender como é que você tem que cultivar cada planta, se ela gosta de sombra, se ela gosta de sol e só no convívio que você aprende”, explica a artista.
*** Continua depois da publicidade ***
Arte e sustentabilidade na produção e no cotidiano
Além do reaproveitamento de materiais e redução de desperdício, a produção artística de Regina Cunha inclui oficinas, onde a artista ensina a produzir papel reciclado e técnicas de reaproveitamento de resíduos como matéria-prima para produção artística.
Esse reaproveitamento também aparece na estrutura física do espaço. Materiais provenientes de obras e descartes foram reutilizados na construção de caminhos, muros e estruturas do quintal, incluindo muros de pedra e estruturas do quintal, como o tanque de peixes, construído por Regina.
A relação entre arte e natureza aparece como base do processo criativo e do modo de vida da artista. A aprendizagem ocorre por observação do comportamento das plantas, do solo e do ambiente. A lógica de integração entre linguagens artísticas e elementos naturais também orienta a organização do quintal e do espaço produtivo.
Horta, composteira e manejo orgânico
Regina faz questão de aplicar sua filosofia artística também no manejo da sua horta, os resíduos orgânicos são depositados em uma composteira. Dessa forma, são acumulados e transformados em adubo que são utilizados no cultivo de alimentos e plantas ornamentais.
No espaço é possível encontrar hortaliças, frutas e plantas ornamentais, cultivadas de forma integrada, sem uso de defensivos químicos. Essa prática segue princípios de diversidade de espécies, sem separação rígida entre jardim e área produtiva. “É tudo integrado e isso faz parte dos princípios da agroecologia e isso tem a ver com você poder afastar as pragas sem necessidade de usar defensivos. Então, é tudo uma coisa só”, explica a artista.
Produção artística e relação com a comunidade
O ateliê mantém relação direta com visitantes, estudantes e moradores da região. O espaço também funciona como ponto de troca de mudas de plantas, alimentos e produtos derivados do cultivo doméstico.
Para Regina, o Ateliê Aberto é uma forma de se conectar ainda mais com a comunidade e mostrar seu trabalho. A artista deixa seu convite a todos que tiverem interesse por consumir e aprender sobre arte. “Aqui você tem contato com coisa feita à mão, feita por nós, né? E que tem esse valor agregado do amor. Porque é feito com amor”, afirma.
Para realizar as visitações no Ateliê Aberto de Regina, que estarão disponíveis a partir de abril, basta realizar um agendamento prévio pelo whatsapp (31 8624-8643). Rua Dona Yolanda Guimarães, nº 250, Passagem, Mariana.