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Hoje é sábado, 31 de janeiro de 2026

PL pretende priorizar agricultura familiar no cultivo de maconha

Com aval da Anvisa para produção nacional, proposta do deputado estadual Leleco Pimentel prioriza pequenos produtores para baratear remédios e gerar renda no campo

Diversos pés de maconha fotografados de perto
Foto: Cannafornia/Pexels

A produção de cannabis para fins medicinais no Brasil deixou de ser uma barreira jurídica para se tornar uma oportunidade econômica e de saúde pública. Na última quarta (28), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, por unanimidade, as regras que regulamentam todas as etapas de cultivo e fabricação da planta para fins exclusivamente farmacêuticos e de pesquisa. O avanço federal impulsiona o Projeto de Lei (PL) 3654/2025, que tramita na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e busca colocar o estado na vanguarda dessa cadeia produtiva, garantindo que o protagonismo fique com quem vive da terra.

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Por uma cannabis nacional

A nova norma federal atende a uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e estabelece protocolos rígidos. A produção será restrita a plantas com teor de THC de até 0,3% (substância não psicotrópica) e exige segurança máxima: vigilância 24 horas, câmeras, alarmes e inspeção sanitária prévia.

Segundo o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, a medida oferece “previsibilidade e segurança para pesquisa e fins medicinais”, focando no cuidado de pacientes que hoje dependem de importações caras. O objetivo é que a ciência e o setor produtivo nacional desenvolvam soluções de qualidade para quem sofre com doenças como epilepsia, Parkinson e dor crônica.

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Prioridade para o pequeno produtor

O projeto de autoria do deputado estadual Leleco Pimentel (PT) estabelece que a agricultura familiar terá prioridade absoluta na implementação da política estadual de cultivo. O texto prevê que o Estado identifique áreas adequadas e incentive o cooperativismo para o manejo e processamento da cannabis.

O autor do projeto defende que a regulamentação precisa se transformar em benefício direto para o povo. “O desafio agora é transformar o marco regulatório em políticas públicas efetivas, capazes de garantir que a cannabis medicinal chegue a quem precisa, com preços justos e produção nacional”, afirma o parlamentar. A proposta conta com o apoio do deputado federal Padre João (PT-MG), que articula em Brasília para que a produção nacional garanta soberania no acesso a insumos de saúde.

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Benefícios para o solo e diversificação de renda

O projeto apresenta argumentos que vão além da saúde e demonstra os benefícios para a agricultura. A justificativa do PL cita estudos do Rodale Institute mostrando que a cannabis, por crescer rápido, ajuda a suprimir ervas daninhas, o que reduz o uso de herbicidas no campo.

A planta também possui capacidade de fitorremediação, ou seja, a cannabis tem a capacidade de retirar metais pesados como chumbo e cádmio do solo. Em sistemas de rotação de cultura, o plantio da cannabis pode até aumentar a produtividade de safras posteriores de soja e trigo.

Para os autores da proposta, o cultivo é uma estratégia de “inclusão social de jovens e mulheres no meio rural” e diversificação da renda para o agricultor familiar.

Situação do projeto na ALMG

O PL 3654/2025 está atualmente na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia, aguardando a designação de um relator. Para virar lei, a proposta ainda precisa passar pelas comissões de Saúde, Agropecuária e Agroindústria, e Fiscalização Financeira e Orçamentária antes de ir ao Plenário.

O projeto prevê ainda que o Estado de Minas Gerais tenha prioridade na compra da produção in natura e dos medicamentos produzidos para abastecer a rede pública de saúde, o que pode garantir mercado certo para as cooperativas de agricultores familiares que aderirem ao programa.

Foto de Lui Pereira
Lui Pereira é jornalista, fotojornalista e contador de histórias. Um cronista do cotidiano marianense.