- Mariana
Reunião debate manutenção da estrada de acesso a Camargos
Manutenção emergencial foi feita no acesso principal ao distrito nessa quarta-feira (07) e deve continuar nos próximos dias
Uma reunião emergencial foi convocada e ocorreu na tarde dessa quarta-feira (07), no distrito de Camargos, para alinhar informações e discutir os graves problemas de acesso enfrentados pela comunidade, especialmente após os incidentes ocorridos devido às chuvas, que praticamente ilharam o local nessa terça-feira, aliados aos constantes problemas enfrentados pelos moradores face às operações de mineração. E convivência com trânsito pesado, poeira e barro. O encontro foi conduzido pelo presidente da Associação de Moradores de Camargos, Daliano Ferreira Lana, com a participação de representantes da Cedro Mineração, do vereador José Sales (PDT) e de moradores do local.
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Problema Central: Condições da estrada e impacto da mineração
De acordo com os relatos de moradores durante a reunião, a estrada principal que serve à comunidade está em péssimas condições, tornando-se lamacenta e intransitável durante o período chuvoso, e com muita poeira em períodos de seca, além de representar perigo devido ao intenso tráfego de caminhões. O sentimento de indignação demonstrado traduz mais de quatro anos de reclamações e convívio com a situação, sem que a situação seja efetivamente resolvida.
Todos os presentes, incluindo o vereador José Sales relataram que, há anos, vêm denunciando que o material utilizado na estrada não é adequado, por ser composto de partículas muito finas que se transformam em “um caldo” ao ter contato com a água da chuva.
Além disso, foi unânime a reclamação de que a manutenção não é feita na periodicidade e estação adequada, sendo também citada a forma inadequada de utilização das máquinas na pista, apenas jogando o material lamacento para as laterais, com a possibilidade de voltar para o leito da estrada no caso de mais chuvas.
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Outro ponto de unanimidade entre os moradores de Camargos é que a situação tem difícil solução uma vez que a licença para a extração de minério foi concedida à cedro Mineração sem que uma infraestrutura de acesso adequada fosse garantida inicialmente. Em função disso, a comunidade fica à mercê da liberalidade das mineradoras em fazer a manutenção, enquanto carros ficam atolados e sofrem danos significativos que exigem reparos caros.Insira aqui o texto.
Direito de ir e vir e prejuízos financeiros
Devido às chuvas dos primeiros dias de janeiro, nessa terça-feira (06) ocorreu um incidente com um caminhão, no trecho entre o distrito e o trevo da Cedro Mineração. Como não há tráfego de caminhões de transporte de minério nesse trecho, apenas os moradores de Camargos foram afetados, o que vem sendo uma situação recorrente, além dos problemas enfrentados no restante da estrada.
Periodicamente a comunidade enfrenta dificuldades para ir a consultas médicas, levar crianças à escola ou para o trabalho, em Mariana, além de receberem recusa para entregas de mercadorias, incluindo serviços de transporte por aplicativo. Sem contar que, em estabelecimentos do tipo lava-jato, não só ocorrem recusa de realização do serviço quanto, em vários casos, os preços são aumentados consideravelmente.
Há, ainda, preocupação com a segurança no tráfego, especialmente em relação aos caminhões grandes da mineração, compartilhando a estrada com veículos menores da comunidade, muitas vezes projetando barro e não cedendo passagem. Tudo isso forma, na comunidade, um quadro de frustração crônica devido à persistência dos problemas ao longo de vários anos, resultando em “cansaço com reuniões que não resultam em soluções efetivas”.
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Posicionamento da Cedro Mineração
A reunião em Camargos foi uma proposta da Cedro Mineração, por intermédio de Dilson Cláudio, analista de Relações Institucionais da empresa, que compareceu ao evento acompanhado do gerente geral e do gerente de infraestrutura da mina.
Em sua manifestação, Dilson reconheceu a gravidade da situação e as falhas de comunicação no dia anterior, destacando a dificuldade de atendimento mais rápido, uma vez que as máquinas disponíveis estavam em outros pontos críticos.
Os representantes da Cedro Mineração informaram que estão estudando a possibilidade de adquirir brita para ser utilizada no leito da estrada, pois não podem usar materiais externos sem licenciamento ambiental, e que o material fino é o que têm disponível. Além disso, comprometeram-se a implementar controle rigoroso de velocidade para caminhões (limitando a 28 km/h e reduzindo em curvas) para minimizar impactos; a estabelecer um plano de maior presença da gerência de infraestrutura nos acessos à comunidade e a iniciar uma discussão interna sobre a troca de material.
Foi ainda enfatizado que a empresa planeja operar na região por mais 20 anos e tem interesse em resolver a situação para manter uma boa relação com a população afetada por sua operação.
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Perspectivas Futuras
De imediato, a Cedro Mineração se comprometeu a iniciar a remoção do material fino e fazer o nivelamento da estrada com o material mais seco, além de estudar o uso de brita. Além disso, por sugestão do vereador José Sales, a empresa se comprometeu a fornecer o material para que equipamentos da Secretaria Municipal de Transportes e Estradas Vicinais, de tamanhos mais adequados ao porte da estrada, possam corrigir os problemas que estão ocorrendo em alguns trechos do acesso via distrito de Bandeirantes, para criar uma alternativa de rota de deslocamento da comunidade.
Ficou ainda acertada a criação de um grupo de WhatsApp com a participação de representantes da empresa e da comunidade para facilitar a comunicação e o acompanhamento das ações. Entretanto, a comunidade deixou em aberto a possibilidade de buscar apoio legal (advogado e Ministério Público) para documentar os problemas e exigir seus direitos judicialmente, caso as soluções não sejam concretizadas em breve, garantindo o “direito de ir e vir”. De acordo com Daliano Lana, essa medida pode ser tomada tanto individualmente pelos moradores de Camargos quanto pela associação dos moradores, representando toda a comunidade.
Em outras palavras, de acordo com os participantes do encontro, a comunidade exige respostas e ações concretas em curto prazo, sem a necessidade de esperar “mais um ano, dois anos ou três anos” por uma solução definitiva.