Moradores do São Gonçalo estão sem água há 15 dias, caminhão pipa do SAAE não atende todas as casas

Moradores do Bairro São Gonçalo, em Mariana, enfrentam uma situação precária. Em decorrência da estiagem, algumas casas já estão há mais de 15 dias sem água nas torneiras e sem atendimento de caminhão pipa. Cidadãos cobram providências da SAAE, em resposta à nossa reportagem, a autarquia promete solução, mas ainda não há prazo para solução definitiva.

Atualizado em 01/09/2021 às 17:09, por Lui Pereira.

De acordo com os moradores, a distribuição de água é desigual, algumas casas recebem água com frequência, em outras a caixa permanece vazia.

Única água disponível na vizinhança é a mineral, de alto custo para os moradores - Foto: Lui Pereira/Agência Primaz

Helen Aquino, uma das moradoras, está sem água desde sábado e relatou à nossa reportagem que o caminhão pipa, apesar de acionado, não resolveu seu problema. “Ontem veio um caminhão abastecer a rua, porém o motorista disse que não poderia abastecer na minha casa nem das vizinhas pois primeiro: teria que ter o número de protocolo do SAAE e segundo que a mangueira teria que ser maior”, reclama.

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A moradora, entretanto, tem o protocolo de atendimento e o SAAE afirma possuir mangueiras de até 60 metros, o caminhão que esteve no local na segunda-feira, levou uma mangueira bem menor, insuficiente para acessar as caixas d’água.

Diante da situação, os moradores passam por grande dificuldade para conseguir água, Helen conta com a solidariedade para conseguir o mínimo. “Para atividades em geral, estou enchendo galões na casa de uma amiga que mora aqui perto. Mas para beber tenho que comprar água mineral”. Ainda de acordo com a moradora, tem famílias que passam por situações ainda piores: “conversei com uma vizinha e ela disse que nem pra beber tem água. O bairro é carente, então não é todo mundo que tem condições de comprar água mineral”.

Na casa de Vera Lúcia de Paiva moram oito pessoas e já faz mais de 15 dias que nenhuma delas têm acesso à água encanada. “Faz 15 dias que estamos ligando para o SAAE, eles nos dão protocolo, mas não resolvem o nosso problema. O caminhão vem em outras casas, mas na minha não chega”.

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Joana D'arc reclama da diferença de tratamento do SAAE entre os moradores - Foto: Lui Pereira/Agência primaz

A diferença de tratamento é uma queixa de Joana D’arc Pires, a moradora afirma que o caminhão pipa atende com frequência algumas casas, mas não chega até a sua ou de outros vizinhos. “A última vez que o caminhão pipa me atendeu já faz muito tempo, foi no ano passado, neste ano eu não consegui nenhuma vez”, lamenta.

A moradora ainda questiona sobre os motivos que levaram o SAAE a deixar de atendê-la, “eles conseguiram encher minha caixa até ano passado, mas agora não conseguem mais? O motorista chega aqui e nem tenta, enquanto isso algumas pessoas são atendidas quando querem. Eu tenho o protocolo, mas eu não vou beber o protocolo, eu preciso de água”.

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Helen lamenta a falta de sensibilidade da autarquia em sanar os problemas da vizinhança: “Eu não sei mais a quem recorrer, todo mundo aqui tem protocolo, eu tenho dois, ela deve ter três ou quatro, mas a gente não é atendido”.

SAAE

Nossa reportagem enviou diversos questionamentos ao SAAE, perguntamos sobre o que levou a localidade a ficar sem água, sobre o funcionamento do protocolo de atendimento, sobre dificuldades de acesso, tamanhos de mangueiras, diferença de tratamento entre os moradores e sobre quais as ações que estão sendo tomadas para mitigar o problema no local.

Para a autarquia, o problema da falta d’água está ligado à longa estiagem e às ligações irregulares, o que afeta principalmente os moradores das partes mais altas do bairro: “O fator é climático, estamos há meses sem chuva, isso afeta muito nossas captações e poços artesianos. O abastecimento não foi interrompido no bairro. Nesse período, a baixa pressão afeta as residências das partes altas, que acabam sendo as mais penalizadas. As casas na parte baixa têm reflexos minimizados, já que a caixa enche durante a noite, quando o consumo é menor e, consequentemente, há maior pressão na rede. Outro problema do bairro são ligações clandestinas em área de ocupação irregular. Isso sobrecarrega muito nosso sistema, comprometendo o abastecimento das moradias regulares do bairro”.

Em relação ao atendimento de caminhões pipa, o SAAE esclarece a forma de atendimento. “O consumidor tem que solicitar em nosso serviço de atendimento, por telefone(3557-9300)ou App(AndroideIOS), para o setor de frotas programar a rota desses caminhões. Todo serviço solicitado tem que ser registrado”.

Sobre o tamanho das mangueiras para acesso às caixas d’água, o SAAE afirma que “Temos mangotes de até 60 metros, metragem essa suficiente para atender todas as residências de Mariana. Em algum caso o problema é o difícil acesso por ser ruas sem pavimentação ou muito íngreme. Preocupamos com a segurança tanto do motorista do pipa como dos moradores dessas áreas”.

Sobre quais motivos levaram ao não atendimento dos moradores do São Gonçalo, o SAAE alega dificuldades técnicas para acessar as caixas “A Rua São Gonçalo do Cruzeiro pra frente, é difícil acesso, ruas estreitas, becos e vielas, isso dificulta a entrada de caminhões pipa para atender de forma satisfatória os moradores daquela região. A razão de “vizinhos têm suas caixas abastecidas algumas vezes por semana” é devido a facilidade por estarem mais próximo a entrada de acesso”.Mas a autarquia promete uma solução aos moradores: “A falta d’água causada pelo fator climático é a razão de não estar chegando água pela rede. Estaremos indo ao local com nossa equipe de redes e engenharia para acharmos uma solução para os moradores”.

Sobre possíveis soluções a médio e longo prazo, o SAAE afirma: “A curto prazo temos planos de perfurar novos poços artesianos, processo de licitação em fase final de conclusão. Outra ação do SAAE é identificar e cortar todas ligações clandestinas. Falar em sanar o problema definitivamente, isso depende de cada morador do bairro, precisamos que todos se unam e evitem desperdiçar água. É muito comum nossa fiscalização flagrar moradores lavando carro, passeios e até a rua”.

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