Cobra Kai e o resgate da nostalgia dos anos 80

Você pode até ser mais novo, mas com certeza conhece as façanhas de Daniel San e do Senhor Miyagi contra os traiçoeiros brigões do Cobra Kai e a épica luta de Daniel contra Johnny Lawrence no final do torneio de Caratê e o famoso “golpe da garça”. Karatê Kid é um clássico adolescente com doses mais puras dos anos 80 que, em 2018, retornou às telas em forma de série pelo Youtube Premium e hoje com duas temporadas na Netflix: Cobra Kai.

Atualizado em 02/11/2020 às 10:11, por Kael Ladislau.

Cobra Kai revive um dos maiores clássicos dos anos 80, 34 anos depois.

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Karatê Kid é um clássico adolescente com doses mais puras dos anos 80 que, em 2018, retornou às telas em forma de série pelo Youtube Premium e hoje com duas temporadas na Netflix: Cobra Kai.

Não se trata de um Reboot como foi feito em 1994 ou em 2010, com Jack Chan e Jade Smith – filho de Will Smith. Nada: é uma sequência direta dos acontecimentos dos filmes clássicos dos anos 80 e com direito aos dois rivais de volta à tela: Daniel Larusso e Johnny Lawrence. Ambos nas peles dos atores originais: Ralph Maccio e Willian Zabka, respectivamente.

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Aqui um adendo: a dupla de atores não foi exatamente um sucesso depois do primeiro filme. Ralph não fez outros grandes sucessos e viveu à sombra da fama de seu personagem, Daniel San. Willian, idem, mas seu personagem original não ficou tão imortalizado como o de Ralph.

Na série, vemos um Ralph meio durão e Willian um personagem bem caricato, um homem bêbado de temperamento forte e explosivo. Parece algo inerente a alguns atores teen da década de 80, mas vamos combinar: é absolutamente divertido ver os dois de novo na tela com seus personagens, que protagonizaram uma das lutas mais icônicas do cinema.

As consequências daquela luta que deu título e imortalizou Daniel são vistas hoje na vida de ambos: Larusso é um vitorioso dono de concessionária, bem de vida e com uma família estabilizada. Enquanto Johnny é um fracassado brigão entregue à bebida e que vive de bicos e que não tem um relacionamento muito bom com seu filho.

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O temperamento de Johnny o faz perder o emprego de “marido de aluguel” e ele resolve trazer de volta o dojô que o fez ficar conhecido no caratê: o Cobra Kai. A faísca que o fez despertar esse desejo foi Miguel, um adolescente hispânico que sobre com o bulling dos brigões do colégio.

Exatamente o que foi um dia Johnny, mas, redimido, tenta reerguer o sucesso do Cobra Kai tratando essas pessoas fracassadas e vítimas de bulling na escola. O que não é bem visto por Daniel, que a todo custo tenta atrapalhar a vida do antigo rival.

Além de Miguel, a série inclui outros novos personagens nesse universo, como o filho “abandonado” de Johnny, Robby Keene e a filha querida de Daniel, Samantha (carinhosamente chamada de Sam ao longo do filme. Coincidência? Eu acho que não).

O trio de adolescentes se envolvem em uma cadeia de relações que acaba instigando ainda mais a rivalidade de Daniel e Johnny. O interessante é perceber a inversão de papéis que acaba acontecendo na série: se antes, Johnny era o brigão da escola na qual você odiaria conhecer, agora ele se torna aquele fracassado, mas carismático personagem pela qual você invariavelmente torce para que tudo ocorra bem com ele.

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Larusso, por outro lado, era o “bullinado” pobretão que agora é um enfadonho empresário que, a todo custo, tenta tirar o seu antigo rival da jogada, ganhando, em algumas horas, o asco do telespectador.

Também acontece aos personagens novos, como Miguel, que inicia a série como um menino simpático que, com o poder do caratê, se torna um valentão meio chato. Robby, por outro lado, era um filho desapegado, brigão e valentão como um dia foi o pai. Que passa a ser um garoto esforçado, mesmo que faça as coisas apenas para irritar o pai.

Se essa cadeia de relações deixa tudo mais divertido em Cobra Kai, as referências e os easter eggs – aquelas referências escondidas que só os mais atentos percebem – torna a série ainda mais interessante. Sem falar dos flashbacks com cenas originais e não aproveitadas do filme de 1984, inclusive com o saudoso Sr. Miyagi, uma ausência mais que sentida na série, por motivos óbvios, já que Pat Morita – ator que incorporou o Sansei de Daniel San – faleceu em 2005.

A trilha ajuda a transformar a série mais nostálgica, com clássicos dos anos 80 de volta a tela, embalando momentos e dando a tensão necessária nas brigas – muitas, aliás! Os cenários também voltam à vista do espectador, que, se não recordarem dela, a série busca uma cena do filme para te ajudar a recordar.

Cobra Kai é um ótimo entretenimento que ajuda a resgatar aquele clima de anos 80 que muitos ainda são fãs. E é muito, muito nostálgica. São duas temporadas disponíveis na Netflix e com uma terceira prevista para 2021. Você não precisa necessariamente assistir ao primeiro filme para se ambientar na série, mas é claro que, se você souber o que se passa no original, a experiência será melhor.

Adeus ao primeiro dos James Bond

Enquanto esse texto era finalizado, foi noticiada a morte do primeiro James Bond: o ícone Sean Connery.

O ator escocês faleceu na noite do último sábado, enquanto dormia. Connery fez o famoso espião nas décadas de 60, 70 e 80 e é apontado como o melhor James Bond. Além da franquia, Sean fez clássicos como Em Nome da Rosa, Indiana Jones e a Última Cruzada e Os intocáveis, filme que lhe rendeu um Oscar de melhor ator coadjuvante em 1988.

Sean tinha 90 anos, 60 só de cinema.

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Kael Ladislau

Kael Ladislau é Jornalista graduado pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).