Revitalização da Praça Gomes Freire (Jardim) aguarda parecer do Iphan

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Atualizado em 04/09/2019 às 19:09, por Luiz Loureiro.

Proposta de revitalização da Praça Gomes Freire (Jardim) em Mariana - Vista da parte baixa

Proposta de revitalização da Praça Gomes Freire (Jardim) em Mariana - Vista da parte baixa - Imagem: Reprodução

O projeto básico de intervenção/revitalização da Praça Gomes Freire (Jardim) foi encaminhado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em agosto. A análise da proposta aguarda a nomeação de profissional para chefiar o Escritório Técnico em Mariana.

Etapa preliminar

A Fundação Renova contratou a empresa Gema Arquitetura, sediada em Belo Horizonte, e com escritório também na capital paulista, para elaborar um projeto de revitalização da Praça Gomes Freire, conhecida como Jardim. A ação foi um pedido da Prefeitura de Mariana, como uma ação compensatória pelo rompimento da barragem de Fundão, e foi incluída no documento “Hora de Avançar”, cujo protocolo de intenções foi assinado durante a cerimônia de comemoração do Dia de Minas, realizada no dia 16 de julho.

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O estudo foi iniciado bem antes do anúncio, com o desenvolvimento de pesquisa histórica que ouviu pessoas da cidade e se baseou em documentos e fotos antigas, seguido pelo desenvolvimento de um projeto conceitual apresentado ao Iphan para análise. Em ofício encaminhado à Prefeitura em 1º de agosto, o órgão analisou a documentação e emitiu o Parecer Técnico nº 091/2019, assinado pela arquiteta Letícia Aparecida de Matos Oliveira, que ocupava, na ocasião, a Chefia do Escritório Técnico do Iphan em Mariana.

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Reprodução de ofício do Iphan, encaminhando parecer técnico sobre proposta conceitual de revitalização da Praça Gomes Freire - Mariana MG
Reprodução de ofício do Iphan, encaminhando parecer técnico sobre proposta conceitual de revitalização da Praça Gomes Freire

A Agência Primaz teve acesso à documentação completa do estudo conceitual e ao teor do parecer que, em linhas gerais, considera que a proposta “atende parcialmente aos parâmetros estabelecidos pelo IPHAN para a preservação da ambiência do Conjunto Arquitetônico e Urbanístico de Mariana”, além de respeitar “a escala do local” e não descaracterizar “os elementos pré-existentes nas soluções e respostas às demandas contemporâneas de uso”.

O atendimento às diretrizes do Iphan foi considerado parcial em função de alguns itens da proposta conceitual não terem sido considerados satisfatórios, entre os quais a intenção de remanejamento do antigo bebedouro dos cavalos e a utilização de fitas de led como parte da iluminação cênica da praça, além de outros pontos para os quais foram pedidas adequações de formato e mudança de materiais de acabamento, entre outros pequenos ajustes.

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Nova proposta

Em função das observações contidas no parecer técnico do Iphan, foi apresentada uma nova proposta, denominada projeto básico de revitalização da Praça Gomes Freire, com adequações e explicações técnicas relacionadas aos pontos questionados e exclusão dos pontos reprovados. Na essência, o projeto tem como objetivo “valorizar a ambiência existente nesse espaço peculiar de Mariana, com a preservação dos principais elementos e manutenção de grande parte do traçado atual”, como explicado no documento de justificativa da intervenção arquitetônica e paisagística. Para isso, ainda segundo o documento, foram adotadas como premissas “valorizar e reforçar o conceito de Jardim”; “preservar as ambiências existentes”; “intervir minimamente para atender às demandas e revitalizar o espaço”; “manter os eixos de circulação e otimizar as visadas”; “manter as áreas dos canteiros internos” e “assumir a vocação [do local] para [a realização de] eventos com palco”.

Dentre as propostas de maior impacto destacam-se a instalação de palco fixo na parte superior do Jardim; de pequenas arquibancadas em praticamente toda a extensão do contorno situado nas partes alta e baixa da praça e nas proximidades do palco; a completa reformulação do sistema de iluminação; a modificação do paisagismo, privilegiando árvores altas e vegetação de pequeno porte para ampliar a visibilidade do ambiente e possibilitar destaque ao casario do entorno e o aumento da largura da calçada junto ao casario da parte baixa do Jardim (trecho entre as ruas Dom Viçoso e Frei Durão), além da apropriação d parte do espaço em frente ao Cine Theatro Mariana (ex-Sesi), integrando o local à praça propriamente dita.

Proposta de revitalização da Praça Gomes Freire (Jardim) em Mariana - Detalhe da "arquibancada" na parte baixa do Jardim
Proposta de revitalização da Praça Gomes Freire (Jardim) em Mariana - Detalhe da "arquibancada" na parte baixa do Jardim - Imagem: Reprodução

Fundação Renova
Como já aconteceu em outras oportunidades, a Fundação Renova não respondeu adequadamente aos questionamentos feitos pela Agência Primaz em relação a informações sobre critérios para a escolha do escritório de arquitetura, valor do projeto, prazo de conclusão do projeto, início das obras, valor e prazo de execução da intervenção no Jardim, entre outros pontos.

Fechamento de ruas no entorno do Jardim

A Lei Municipal nº 2.995, sancionada em agosto de 2015, estabeleceu o fechamento aos domingos, dos meses de maio a setembro, da Praça Gomes Freire para atividades de lazer, cultura, entretenimento e comércio”. Na realidade, a lei aprovada a partir de projeto proposto pelo vereador Juliano Gonçalves, previa que a interdição ao trânsito das ruas da parte alta e baixa do Jardim de 9 às 22 h aos domingos, de forma alternada, mas de modo a permitir, “a qualquer momento, [o tráfego] dos veículos de Segurança, de Urgência e Emergência de Saúde”. A medida vinha sendo observada apenas na parte baixa, simplesmente impedindo o acesso de veículos, mas sem que fosse oficializada a comissão encarregada de organizar eventos de lazer, de forma continuada, como previsto na referida lei.
 

Fotos: Luiz Loureiro/Agência Primaz

Recentemente, por iniciativa do vereador Juliano Duarte, e a pedido de alguns comerciantes do local, começou a ser discutida a possibilidade de utilização das ruas para a colocação de mesas e cadeiras, estendendo-se a interdição também aos sábados à noite. Depois de várias reuniões envolvendo interessados e órgãos do Poder Público, chegou-se a um projeto piloto experimental de fechamento de ambas as ruas simultaneamente, mas com interdição parcial na parte superior, e previsão que as mesas na parte de baixo deixariam desimpedida a passagem para veículos de segurança e saúde.

Como pode ser observado nas fotos acima, essa determinação não tem sido obedecida. Em entrevista concedida à Agência Primaz, o vereador Juliano Duarte ressaltou que esse aspecto deve passar a ser obedecido de forma natural, com a colocação de mesas de madeira, mais pesadas, dotadas de dispositivos de proteção solar, dificultando o manuseio por parte dos frequentadores. Ele ainda ressaltou a participação ativa de todos os envolvidos, em especial do secretário de Cultura e Turismo, Efraim Rocha, que não tem medido esforços para a concretização do projeto. Em breve, segundo o vereador, um novo projeto de lei será submetido à Câmara, regulamentando todos os aspectos que vem sendo discutidos e implementados desde o mês de junho.

A implantação deste projeto, entretanto, pode apresentar dificuldades em função da proposta de alargamento de uma das calçadas na parte baixa da praça.